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As vozes da cidade [In]visibilidade: Espaço Memória Carandiru

  • Foto do escritor: letrasaps2018
    letrasaps2018
  • 17 de nov. de 2019
  • 5 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2019



















O nosso projeto tem como objetivo aprofundar o tema proposto em sala de aula sobre “As vozes da cidade [In]visibilidade”. Seguindo os principais conceitos da Semiótica, será exposto neste trabalho uma intertextualidade do que foi o antigo Carandiru, o que ele representa agora para o nosso entrevistado, buscando um resgate de memória e recontextualizando esse lugar que antes era um presídio e agora é chamado de Parque da Juventude. Entrevistamos o avô de uma das integrantes do grupo, Isabella Queiros, que participou das filmagens do filme O Carandiru. Durante a entrevista, a qual foi gravada por áudio, ele nos conta como foi trabalhar em um ambiente pós massacre, a vida dos outros funcionários e até mesmo dos atores que participaram do elenco.


O Massacre de Carandiru e Espaço Memória O Espaço Memória Carandiru voltado à memória cultural do antigo maior presídio, a Casa de Detenção de São Paulo, conhecida por Carandiru, pela chacina que ocorreu no Brasil, em 2 de outubro de 1992, quando uma intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, causou a morte de 111 detentos. O motivo de tal tragédia, segundo as investigações, uma rebelião teve início com uma briga de presos no Pavilhão 9 durante uma partida de futebol entre os detentos, então ocorreu uma intervenção da Polícia Militar, tinha como justificativa acalmar a rebelião no local. A promotoria do julgamento do coronel Ubiratan classificou a intervenção como sendo "desastrosa e mal-preparada". E cinco júris condenaram 74 policiais militares envolvidos no massacre, porém, acabaram anulados por decisão da Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, em recurso relatado pelo desembargador Ivan Ricardo Garisio Sartori, em 2016. Além do processo criminal, o advogado Carlos Alexandre Klomfahs, em nome de familiares de vítima do Massacre, ingressou com uma ação pedindo que o Governo do Estado de São Paulo, reconheça a culpa pelas mortes e peça desculpas aos familiares em pronunciamento em rede nacional de rádio e tv. Um dos objetivos em criar um espaço, mesmo com um marco gigantesco como esse, é mostrar para as pessoas a situação real dos presidiários, infraestrutura, condições em que viviam, pois quase 25 anos depois, o caso ainda é alvo de controvérsia. De um lado, o chefe da operação diz que agiu no estrito cumprimento do dever. Do outro, grupos de direitos humanos acreditam que houve intenção de exterminar os presos e reclamam que ninguém foi punido. O espaço foi instalado no piso térreo, onde havia a enfermaria da penitenciária e ainda preserva traços de sua arquitetura. É possível conferir centenas de objetos deixados pelos presos, como portas com pintura artística, utensílios de cozinha, máquina de tatuagem, artigos religiosos e camisas de futebol. O Espaço Memória Carandiru foi organizado por alunos e professores do curso técnico de Museologia da Etec Parque da Juventude. Um acontecimento importante como esse, e por ter sido em um país em que ocorre preconceitos tanto por pessoas em que moram no Brasil, assim como em países de fora, de que todo bandido que está na cadeia, merece passar tais condições precárias, e então por ter essa fama, quando ocorre um abuso de autoridade, agressão, falta de profissionalismo, ar de superioridade, de duas uma, ou grupo de pessoas irão acreditar na “verdade” que um policial declarar, ou um grupo, mesmo que pequeno, de pessoas acreditem na “verdade” dos presidiários. De qualquer maneira, esse marco foi grande, e independentemente de serem bandidos, são seres humanos e não foi um assunto em que podia ser facilmente esquecido e ignorado, e agora está exposto por centenas de anos para que que essa história alcance mais pessoas e que elas enxerguem com um novo olhar, que possam ter até mesmo um olhar de compaixão sobre tal situação. De acordo com a coordenadora do curso de Museologia da Etec Parque da Juventude, Cecilia Machado, diz que “Além de remontar o cenário onde viviam os presos, o local apresenta uma série de objetos criados por eles, mostrando a expressão artística e a criatividade dos detentos diante das limitações prisionais”, ou seja, se tornou um centro histórico.


Entrevistamos o senhor Ademir Lourenço, que participou das gravações do filme “O Carandiru”. Perguntamos o que lembrava em relação ao local após o massacre, quais sensações sentia quando entrava todos os dias para as gravações, e o que os outros funcionários achavam sobre o local também.



ENTREVISTA EM ÁUDIO COM ADEMIR LOURENÇO:


Ademir Lourenço: “O massacre do Carandiru foi em 2 de outubro de 1992. Falaram que houve 111 mortes, mas na realidade foi bem mais, porém, não foi divulgado a quantidade. Cada preso tinha uma história que foi relatada no filme Carandiru. Carandiru, uma história da vida real contada e vivida pelo médico Dráuzio Varella, um dos médicos que atuava no Carandiru, cuidando dos presos. (...) na hora da filmagem, andávamos pelos corredores da cela, e parecíamos ouvir vozes. Parecia que tinha alguém nos acompanhando nos corredores. Nas celas vazias podiam-se ouvir gemidos e muitas pessoas que trabalharam no local, saíram com “problemas espirituais”. As pessoas iam à igreja, em centros espíritas para tirar as “más influências”. O pavilhão 4 não podia ser visitado. O pavilhão tinha 4 andares. Quando se chegava no 2 andar, não conseguia visitar o 3º nem o 4º. Dava um calafrio, e você descia e nem voltava. Só conseguia ler o que estava escrito nas paredes. E as ruínas que eles aprontaram lá dentro. Mas não conseguia visitar os outros pavilhões. Era o que acontecia no Carandiru. Foram 3 meses de filmagem, e muitos terrores vendo lá dentro. Essa história foi contada pelo médico Dráuzio Varella (autor original da obra), que viveu o drama e a realidade de lá, visto que era médico dos presos. E dirigida pelo diretor Hector Babenco. As filmagens lá eram feitas de dia e de noite, o terror era o mesmo, parecia se ouvir vozes e gente acompanhando nos corredores, que eram gelados. Não havia sol de dia. No poço do elevador só aparecia o teto dele. Os funcionários que trabalhavam lá diziam que estava cheio de gente morta. Já havia se passado 10 anos e nunca mexeram nesse elevador. Portanto, derrubaram o pavilhão e aqueles que estão lá, que, hoje, é o Parque da Juventude. É o mesmo prédio onde ocorreu o massacre, apenas reformado. O elevador, não sei que fundamento tomou. O pavilhão foi dissolvido e feito jardins. Não foi comentado mais sobre o elevador, mas segundo o pessoal de lá estava cheio de sente morta lá dentro. Como haviam se passado 10 anos, só restaram os esqueletos. E só se via o teto do elevador no poço.”




















Concluímos ao realizar este trabalho, que tivemos a oportunidade para observar a história com um novo olhar. A manipulação através da televisão, do rádio, internet, etc., inconscientemente somos influenciados a ver e ouvir somente aquilo que a mídia quer e acredita ser o mais adequado e aprovado por eles mesmos. Com a pesquisa de campo foi descoberto fatos em que não lembramos ser exposto em grandes mídias, como por exemplo, o verdadeiro motivo do massacre, ou se após o ocorrido a justiça dos presidiários foi cumprida, e por que somente encontramos mais versões dos policiais e menos dos presidiários. Pessoas foram absorvidas, provas foram omitidas, tudo para não aparecer a “verdade”. Uma história “mal contada” para a sociedade. Nos sensibilizamos mais com a entrevista com o senhor Ademir Lourenço, em que compartilhou conosco a sua experiência em trabalhar nesse mesmo ambiente com uma história tão pesada e injustiçada, a sensação ao passar pelos corredores da prisão, ver antigos objetos que foram deixados e atualmente usados para exposição do museu. Segundo o entrevistado, o local tornou-se difícil e eventualmente dificultava o trabalho de todos.

 
 
 

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